Sal Rosa do Himalaia

Autor: Júlio Carlos Afonso

A cor rosa da figura deste post faz suscitar em muitos químicos de plantão se tal cor rosa não seria devido à presença de manganês(II) no produto, cujos compostos tem várias tonalidades de rosa... Pura enganação, as aparências podem nos levar a equívocos...

 

Bem, o sal do Himalaia tem como grande diferencial em relação ao sal refinado (sal de mesa ou sal comum) o fato de ele não ser refinado (como o sal marinho, grosso, negro etc.), podendo ser chamado de sal integral. Enquanto o sal refinado possui aditivos em sua composição, como dióxido de silício (SiO2) e ferrocianeto de sódio (Na4Fe(CN)6) - antiumectantes, os sais integrais não os contêm.


Um estudo publicado no portal http://themeadow.com/pages/minerals-in-himalayan-pink-salt-spectral-analysis busca desvendar, com o auxílio de diversas técnicas analíticas, os componentes do sal rosa do Himalaia. Apesar de nada se poder afirmar quanto à confiabilidade dos resultados, parece que a quantidade de elementos minerais presentes é enorme, alguns em concentrações muito maiores do que no sal refinado. Como por exemplo, chega a ser 300% superior para o cálcio e mais de 7400% superior para o magnésio, quando comparadas às do sal refinado. Já o manganês comparece com apenas 0,27 ppm (mg/kg). Daí a cor rosa nada tem a ver com esse elemento...

 

Deve-se esclarecer que o consumo de nenhum sal, nem mesmo o rosa do Himalaia, representará uma fonte expressiva de minerais — com exceção do sódio, é claro. Aliás, o sal rosa do Himalaia não possui uma significativa menor concentração de sódio quando comparado ao sal refinado.

 

Considerando nossas necessidades nutricionais, o mineral mais importante no sal rosa seria o ferro. Mesmo assim, a ingestão de 10 g/dia desse tipo de sal não seria capaz de suprir sequer 5% das recomendações de ferro.

 

Portanto, embora o sal rosa do Himalaia possa ser consumido sem problemas, ele não é nenhuma fonte mágica de elementos para nossa dieta, no estado atual do conhecimento.


Uma referência da literatura científica sobre a qualidade de 45 sais ao redor do mundo é acessada por meio do link http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/j.1745-459X.2010.00317.x/abstract.

Fonte: Esta publicação é da excelente página do Facebook "Química Analítica Qualitativa Inorgânica UFRJ" (https://www.facebook.com/QualitativaInorgUfrj/)

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