Criação de máquinas moleculares é premiada com Nobel de Química

Ilustração: Instituto Karolinska

O Prêmio Nobel da Química de 2016 foi concedido aos pesquisadores Jean-Pierre Sauvage, da França, James Fraser Stoddart, da Escócia, e Bernard Feringa, da Holanda. Eles foram responsáveis por projetar e sintetizar as chamadas “máquinas moleculares”, ou seja, desenvolveram moléculas cujos movimentos podem ser controlados quando recebem energia (química, elétrica, óptica ou magnética). O trio dividirá o prêmio de US$ 933 mil.

Como o desenvolvimento dessas máquinas ainda está em estágio inicial, em seu comunicado a Academia Real Sueca de Ciências destacou que, em termos de desenvolvimento, o motor molecular encontra-se numa situação semelhante à que esteve o motor elétrico na década de 1830, quando cientistas exibiam várias manivelas, fiações e rodas, mas nem cogitavam que sua invenção seria capaz de movimentar desde um simples ventilador até gigantescas locomotivas.

Por isso, acredita-se que as máquinas moleculares poderão ter diversas finalidades, como matéria-prima para novos materiais, servir de sistemas de armazenamento e de meios para a aplicação de medicamentos diretamente em uma determinada célula ou órgão. "Acreditamos que os pequenos robôs que um médico injetará em nossas veias irão encontrar [e tratar diretamente] uma célula cancerígena”, reforçou Bernard Feringa.

Sauvage deu o primeiro passo nesses pesquisas em 1983, quando conseguiu ligar duas moléculas em forma de anel de modo a formar uma corrente. Normalmente, as moléculas se unem às outras por ligações covalentes, em que seus átomos compartilham elétrons. Na corrente desenvolvida por Sauvage, essa ligação passou a ser mecânica, mais livre do que a ligação química. Essa é uma característica essencial para que uma máquina consiga realizar tarefas: ter partes que possam se mover em relação às outras.

A segunda etapa foi feita por Fraser Stoddart em 1991, quando desenvolveu um rotor molecular e conectou a este um anel, que foi capaz de se mover ao longo do eixo.

Já Feringa foi o primeiro a desenvolver um motor molecular. Em 1999, ele conseguiu fazer com que uma pá de rotor molecular girasse continuamente na mesma direção. O dispositivo foi capaz de girar um cilindro de vidro 10 mil vezes maior que o motor. Ele também desenvolveu um nanocarro.

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