Capsaicina: da Pimenta para Usos Terapêuticos 
Autor: Antonio Carlos Massabni

Milhões de pessoas de várias culturas do mundo inteiro gostam de comer pimenta por causa do seu sabor, mesmo que isso cause uma sensação de ardência na boca e na garganta. A pimenta é o segundo condimento mais usado no mundo, perdendo somente para o sal de cozinha. Uma das pimentas mais comuns no Brasil é a pimenta vermelha conhecida por “dedo de moça”. Poucas pessoas sabem, no entanto, os benefícios que as pimentas “ardidas” podem trazer para a saúde humana.
 
O sabor ácido da pimenta (verde ou vermelha) é causado por uma substância chamada capsaicina. As quantidades desta substância presentes nas pimentas variam de 0,1 a 1% em massa. A capsaicina foi obtida em laboratório pela primeira vez em 1929. Sua estrutura e propriedades químicas são bem conhecidas. É solúvel em álcool, éter, benzeno, acetona e óleos vegetais. Isto significa que a capsaicina, quando está dissolvida em um desses solventes, não perde suas propriedades originais. A capsaicina é um sólido que passa para o estado líquido em temperatura relativamente baixa (65º C). Quando se conserva a pimenta vermelha em óleo, a capsaicina se dissolve e passa sua “ardência” para o óleo.
 
Muitas pesquisas foram realizadas com a capsaicina nos últimos anos. Os resultados demonstram que ela é uma substância ativa no tratamento de várias doenças, entre as quais a artrite reumatóide. Alguns trabalhos mostram que a capsaicina é um anticoagulante, pois ajuda a baixar a pressão sangüínea, reduzindo o colesterol e evitando a formação de coágulos sangüíneos que podem provocar infarto, trombose e derrame cerebral.
 
Há alguns trabalhos que comprovam que a capsaicina pode ser usada no tratamento de resfriados, febres e na prevenção do câncer, principalmente do estômago. Atualmente ela tem sido usada para reduzir a dor nas articulações, problema comum nas artrites e artroses. Os especialistas acreditam que a capsaicina ajuda a dessensibilizar as fibras nervosas que transportam os sinais da dor até o sistema nervoso central. A substância pode ser aplicada na forma de creme ou pomada no local onde a pessoa sente dor, sendo logo absorvida pela pele. É importante observar que a capsaicina não é destruída, nem perde suas propriedades originais, quando a pimenta é frita ou conservada em óleo por um longo período de tempo.
 
A capsaicina tem sido utilizada na medicina há muitos séculos. A pimenta vermelha foi uma das primeiras plantas cultivadas nas Américas. As tribos indígenas brasileiras cultivam e usam  pimentas desde o descobrimento do Brasil. Os historiadores acreditam que a população do México come pimenta vermelha desde 7.000 AC. A capsaicina já era utilizada pelos nossos ancestrais para aliviar as dores nas juntas.
 
Esta substância tem sido usada, também, na forma de creme ou pomada na medicina esportiva para tratamento de lesões, torções e nevralgias. Funciona bem para aliviar a coceira da pele e acalmar a dor provocada por herpes.
 
Alguns estudos mostram que a adição de pimenta nos alimentos ajuda na digestão e na queima de calorias mais rapidamente, acelerando o metabolismo. As pimentas ardidas (verde e vermelha) possuem também grandes quantidades das vitaminas A e C, que são benéficas ao corpo humano. Há perspectivas interessantes do uso da capsaicina para o tratamento de osteoartrite e psoríase.
 
Por outro lado, o uso excessivo de pimenta pode provocar o aparecimento de úlceras estomacais e/ou de hemorróidas. A quantidade consumida para tais efeitos indesejáveis varia de acordo com o indivíduo.
 

 

A molécula da capsaicina (fórmula estrutural simplificada):

Nome oficial da capsaicina: 8-metil-N-vanilil-trans-6-nonenamida
Nome popular: pimenta, piripiri, malagueta
Nome científico: Capsicum sp

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