O Banho-Maria

Autor: Júlio Carlos Afonso

O banho-maria (conhecido em francês como bain-marie e e inglês como water bath ou double boiler), é um sistema de aquecimento usado na indústria, na culinária (como nas preparações com chocolate) e na química para aquecer, gradualmente, até uma determinada temperatura, um dado material ou mistura reacional, ou então mantê-los a uma temperatura constante e maior do que a ambiente por um período de tempo. O meio de aquecimento típico é a água; portanto, a temperatura máxima desse banho-maria, a 1 atm, é a ebulição da água (100 oC, ou, mais exatamente, 99,974 oC).


Toda essa praticidade vem de muito longa data. Os primeiros registros de banhos-maria datam da antiga alquimia, visto que os alquimistas precisavam aquecer toda sorte de misturas e materiais vagarosamente. Nos séculos XVII-XVIII, os experimentalistas acreditavam que a melhor maneira de conduzir muitas reações era imitando o ritmo de processos naturais que supostamente ocorriam na crosta terrestre - como a produção de minerais e metais preciosos - ou seja, aquecendo lentamente os meios reacionais.

 

Mas, e quem seria a Maria desse banho? A provável origem vem do termo medieval latinizado balneum (or balineum) Mariae (o banho de Maria), origem do termo francês bain de Marie, mais tarde evoluído para bain-marie (e banho-maria em português).

 

Existem algumas propostas para entender como o nome Maria está associado a esse dispositivo de aquecimento: A tradição popular atribui o invento a Maria, a Judia, uma antiga alquimista, de acordo com a alquimia judaica. Ela morou em Alexandria entre os século I e III de nossa era, sendo creditada a ela diversas invenções. Outra corrente tenta correlacionar o invento à Virgem Maria pelo seu papel como mãe tenra de Jesus, tal como no lento aquecimento que o banho-maria oferece,

 

Na figura, o banho-maria representado através dos tempos. A imagem de Maria, a Judia, vem do livro de Michael Maier, Symbola Aurea Mensae Duodecim Nationum, de 1617. As demais imagens vêm do Wikipedia.

 

Este instrumento é um verdadeiro banho de história da química, não acham?

Fonte: Esta publicação é da excelente página do Facebook "Química Analítica Qualitativa Inorgânica UFRJ" (https://www.facebook.com/QualitativaInorgUfrj/)

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